Vacina da Covid 1 Não Causa Trombose: Combata a Fakenews
Em entrevista ao portal G1, na última sexta-feira, o docente do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas e coordenador do Hemocentro da Unicamp, Erich Vinícius de Paula, desmentiu a fake news do momento, que alega que a proteína sintética spike da vacina contra Covid-19 pode causar trombose e que em função disso, imunizados devem fazer o exame dímero-D, semanalmente.
“Não tem evidência científica e é absolutamente esdrúxula a afirmação”
, disse Erich, que também é membro do Comitê de Hemostasia e Trombose da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (SBHH) e membro fundador da Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia (SBTH).
Leia aqui, na íntegra, a matéria produzida pelo jornalista do G1, Roney Domingos, que desmascara o vídeo que circula nas redes sociais, em que uma mulher que afirma ser médica faz as falsas alegações sobre a proteína sintética spike da vacina contra a Covid-19.
VEJA NA ÍTEGRA
É #FAKE que proteína spike da vacina contra Covid-19 cause trombose e que imunizados devem fazer exame dímero-D semanalmente
Especialista da Unicamp e da Associação Brasileira de Hemoterapia desmente vídeo em que médica faz alegações falsas e alarmistas relacionados aos imunizantes contra Covid. ‘As afirmações desse vídeo são absolutamente infundadas’, diz o médico Erich Vinícius de Paula.
Por Roney Domingos, g1
Circula pelas redes sociais um vídeo em que uma mulher afirma que a proteína sintética spike da vacina contra Covid-19 provoca trombose e que as pessoas imunizadas devem fazer o exame Dímero-D uma vez por semana para prevenir riscos. É #FAKE.
A mulher diz as seguintes afirmações falsas no vídeo: “Porque a proteína spike sintética não perdoa. Ela tem um modus operandi de fazer lesão. E ela faz a lesão na parede vascular. Ela faz uma lesão inflamatória, ela desencadeia o processo inflamatório exuberante independente das condições da pessoa, nutricionais, genéticas e afins, essa conta chega e essa conta vem como sequela. É dano corporal, perda de movimentos, lesões neurológicas, doenças autoimunes, agora suspeita de tumores e morte. Então nós temos que enfrentar essa situação e temos que fazer plano de contingência pra tratar os vacinados. Um ponto fundamental que nos grupos de médicos nós estamos discutindo: todas as pessoas vacinadas precisam fazer exame Dímero-D para no mínimo detectar o seu risco de trombose. Se essa micro trombose já está acontecendo o Dímero-D vai apontar. (…) Então nós estamos estimulando que as pessoas que foram vacinadas passem a monitorar regularmente uma vez por semana, uma vez a cada dez dias o seu, a sua medição de Dímero D. Infelizmente as pessoas, os pais estão levando seus filhos para o corredor da morte. “
Proteína spike não é relacionada a fenômenos trombóticos
De Paula também desmente que a proteína spike esteja relacionada a fenômenos trombóticos. “O segundo aspecto é que falado da proteína spike. A proteína spike é importante para entrada do vírus na célula e ela é expressa na vacina. Houve um momento em que se imaginou que ela pudesse estar relacionada aos fenômenos trombóticos tanto da vacina da AstraZeneca e da Janssen quanto da Covid, mas isso já foi descartado“, conta ele.
“Então, você tem trabalhos científicos que mostram que os anticorpos que você encontra nos indivíduos que tiveram trombose e que modulam esse processo de trombose – de novo, após a vacina da AstraZeneca e da Janssen- , não são direcionados contra a proteína spike e a trombose no paciente com Covid não tem nada a ver com a proteína spike, tem a ver com a resposta do sistema imune inato, chama imunotrombose. Isso está amplamente estudado. É uma das coisas mais estudadas em 2020 e 2021. Então, você tem um ou outro trabalho, baseado em modelos, em tubos de ensaio, que são muito distantes da clínica, do modelo animal e que levantaram essas possibilidades, mas qualquer pessoa com o mínimo de formação científica que lê aquilo sabe que dizer que aquilo ali comprova um efeito da proteína spike na trombose é errado quanto mais quando você já tem evidências que refutam essa possibilidade.”
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Reprodução
É #FAKE que proteína spike da vacina contra Covid-19 cause trombose e que imunizados devem fazer exame dímero-D semanalmente
Especialista da Unicamp e da Associação Brasileira de Hemoterapia desmente vídeo em que médica faz alegações falsas e alarmistas relacionados aos imunizantes contra Covid. ‘As afirmações desse vídeo são absolutamente infundadas’, diz o médico Erich Vinícius de Paula.
Por Roney Domingos, g1
Circula pelas redes sociais um vídeo em que uma mulher afirma que a proteína sintética spike da vacina contra Covid-19 provoca trombose e que as pessoas imunizadas devem fazer o exame Dímero-D uma vez por semana para prevenir riscos. É #FAKE.
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— Foto: g1
A mulher diz as seguintes afirmações falsas no vídeo: “Porque a proteína spike sintética não perdoa. Ela tem um modus operandi de fazer lesão. E ela faz a lesão na parede vascular. Ela faz uma lesão inflamatória, ela desencadeia o processo inflamatório exuberante independente das condições da pessoa, nutricionais, genéticas e afins, essa conta chega e essa conta vem como sequela. É dano corporal, perda de movimentos, lesões neurológicas, doenças autoimunes, agora suspeita de tumores e morte. Então nós temos que enfrentar essa situação e temos que fazer plano de contingência pra tratar os vacinados. Um ponto fundamental que nos grupos de médicos nós estamos discutindo: todas as pessoas vacinadas precisam fazer exame Dímero-D para no mínimo detectar o seu risco de trombose. Se essa micro trombose já está acontecendo o Dímero-D vai apontar. (…) Então nós estamos estimulando que as pessoas que foram vacinadas passem a monitorar regularmente uma vez por semana, uma vez a cada dez dias o seu, a sua medição de Dímero D. Infelizmente as pessoas, os pais estão levando seus filhos para o corredor da morte. “
Professor da disciplina de Hematologia da Unicamp, membro do comitê de hemostase e trombose da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia e membro fundador da Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia, o médico Erich Vinícius de Paula deixa claro que as alegações são falsas. “As afirmações desse vídeo são absolutamente infundadas, praticamente nada do que foi dito ali possui substrato médico. Nenhuma evidência. Chega a ser estarrecedor ver uma pessoa falando isso”, afirma.
Vacinação e trombose
“Em primeiro lugar, não existe nenhuma associação, em nenhum país do mundo, entre vacinação e trombose, exceto – isso é importante ser colocado – casos muito específicos de trombose, associados a plaquitopenia após a vacina da AstraZeneca ou da Janssen que são fenômenos que acontecem em 1 a cada 100 mil vacinados e não é o que essa pessoa está falando. São tromboses graves. Isso está muito bem descrito e só acontece nessas vacinas que não são liberadas para crianças. Então o que está sendo alegado ali, a ocorrência de microtromboses após a vacinação, isso não existe“, explica.
“O mundo possui, os países mais avançados possuem sistemas de vigilância que ficam monitorando. Então, nenhum identificou isso. A fala pressupõe uma conspiração global de sistemas de vigilância de todo o mundo, de toda a comunidade científica, para esconder da população que vacina causa microtrombose e mata, representa uma ida para o corredor da morte. Não tem evidência científica e é absolutamente esdrúxula a afirmação. De fato é surpreendente. O que está sendo dito ali, baseado em grupos de Whatsapp de médicos, eu participo também de grupos de médicos e isso nunca aconteceu, mas mesmo que tivesse acontecido, não é no grupo de médicos que a gente vai buscar evidência científica. A gente busca evidência científica na literatura científica e no sistema de vigilância. Isso não existe”, diz de Paula.
Proteína spike não é relacionada a fenômenos trombóticos
De Paula também desmente que a proteína spike esteja relacionada a fenômenos trombóticos. “O segundo aspecto é que falado da proteína spike. A proteína spike é importante para entrada do vírus na célula e ela é expressa na vacina. Houve um momento em que se imaginou que ela pudesse estar relacionada aos fenômenos trombóticos tanto da vacina da AstraZeneca e da Janssen quanto da Covid, mas isso já foi descartado“, conta ele.
“Então, você tem trabalhos científicos que mostram que os anticorpos que você encontra nos indivíduos que tiveram trombose e que modulam esse processo de trombose – de novo, após a vacina da AstraZeneca e da Janssen- , não são direcionados contra a proteína spike e a trombose no paciente com Covid não tem nada a ver com a proteína spike, tem a ver com a resposta do sistema imune inato, chama imunotrombose. Isso está amplamente estudado. É uma das coisas mais estudadas em 2020 e 2021. Então, você tem um ou outro trabalho, baseado em modelos, em tubos de ensaio, que são muito distantes da clínica, do modelo animal e que levantaram essas possibilidades, mas qualquer pessoa com o mínimo de formação científica que lê aquilo sabe que dizer que aquilo ali comprova um efeito da proteína spike na trombose é errado quanto mais quando você já tem evidências que refutam essa possibilidade.
Dímero-D não é capaz de identificar risco trombótico
“O terceiro absurdo é sugerir que o Dímero-D é um exame capaz de identificar risco trombótico’, diz de Paula. “Qualquer clínico, não precisa nem ser especialista, sabe que o Dímero-D é um exame inespecífico. Quer dizer, ele aumenta em diversas condições não relacionadas a trombose. Por exemplo, em qualquer gestante, qualquer processo inflamatório, qualquer cirurgia, corte etc. Então, sugerir que a pessoa precisa fazer Dímero-D a cada semana… Não existe nenhuma diretriz no mundo que sugere isso. A gente está realmente se baseando na fala de uma pessoa indo contra todas as diretrizes das sociedades internacionais. O vídeo ultrapassa o absurdo de forma sistemática. O Dímero – D não é um exame capaz de predizer risco trombótico, o Dímero-D aumentado não quer dizer trombose. Dar anticoagulante para quem tem Dímero-D aumentado aumenta o risco dessa pessoa, aí, sim , morrer de sangramento. Não existe nenhuma recomendação para fazer Dímero- D em quem foi vacinado. “
Má-fé antivacina
De Paula arremata dizendo que as as negativas podem ser bastante contundentes. “Às vezes a gente refuta por falta de evidências, mas aqui é uma falta absoluta de evidências e o absurdo das afirmações, que são duras. Fala-se em corredor da morte, câncer, são todas questões que me parecem – aí já uma opinião – que o único objetivo é de fato denegrir a vacinação, porque o nível de ignorância para acreditar nesse conjunto de informações ultrapassa a possibilidade. Não me parece um caso de desinformação, mas, sim, um caso, infelizmente de má-fé, de tentar criar uma situação de pânico, mas isso é uma opinião minha e essa parte não tenho como comprovar”, diz.
Para que serve o exame dímero D?
Dosagem do Dímero D:
O teste positivo para Dímero D indica a presença de níveis anormais de produtos da degradação de fibrina no organismo
- O Dímero-D é um produto da degradação da fibrina.
- O exame de Dímero-D é solicitado para diagnosticar problemas de coagulação sanguínea e saúde do coração.
Quando o Dímero-D é preocupante?
- Valores acima de 500 ng/mL podem indicar quadros tromboembólicos, como trombose venosa profunda (TVP) e tromboembolismo pulmonar (TEP).
- A interpretação dos níveis de Dímero-D deve ser feita com cautela e em conjunto com a avaliação clínica do paciente.
Sintomas de Dímero-D alto
- Dor no membro com vaso ocluído
- Aumento da temperatura da perna afetada
- Inchaço
- Rigidez
- Dificuldade para respirar
- Dor no peito
- Hipóxia (diminuição da concentração de oxigênio no sangue)
Situações que podem levar à solicitação do exame
- Cirurgias ou grandes traumas
- Gestação
- Histórico de doenças cardíacas, hepáticas ou renais
- Inflamações e infecções
- Uso excessivo de anticoagulantes
- Determinados tipos de câncer
- Sintomas ou sequelas de COVID-19
O que é Dímero D e sua importância no diagnóstico de Covid-19
Quadros graves de Covid-19, quando devidamente diagnosticados, devem receber investigações iniciais para compreender a manifestação do vírus e da doença no organismo do paciente. Um destes exames é a dosagem de Dímero D, importante para investigar eventuais coagulações sanguíneas.
O Dímero D, também conhecido como D-Dímero, é um produto da degradação de fibrina. A sua dosagem é utilizada como auxiliar no diagnóstico ou para afastar a hipótese de doenças ou quadros trombóticos, que é a produção de coágulo no sangue. É recomendada em situações que cursam com distúrbios da hemostasia, como na trombose venosa, tromboembolismo pulmonar, sepse, entre outros.
Este exame é recomendado nos casos graves de Covid-19, aqueles caracterizados por febre alta, pneumonia ou dificuldade de respirar. Isso porque, na avaliação da doença, tem-se observado o desenvolvimento de anormalidades no sistema de coagulação sanguínea, especialmente nos casos de internação e naqueles que evoluem para uma pneumonia grave. A dosagem de Dímero D é importante na avaliação dos riscos dos pacientes, uma vez que valores elevados costumam estar associados a um mau prognóstico e à alta taxa de mortalidade.
Com base nisso, a International Society of Thrombosis (ISTH) passou a recomendar o monitoramento dos níveis de Dímero D, além do tempo de protrombina, fibrinogênio e contagem de plaquetas para determinar o prognóstico de pacientes com Covid-19 que necessitam de hospitalização. A dosagem de Dímero D também está entre os itens da abordagem clínica inicial recomendada pelo Ministério da Saúde para os casos graves de Covid.
Como funciona o exame do Dímero D
A partir da coleta de uma amostra de sangue é possível detectar a dosagem de Dímero D. Para entender melhor a importância desta amostra, é necessário compreender como funciona o sistema de coagulação sanguínea:
1. Por que o sangue coagula: quando há lesão em uma veia ou artéria, ocorre o extravasamento de sangue. Isso ativa uma sequência de fatores de coagulação que tem como objetivo limitar o sangramento e criar um coágulo para tampar o orifício. Isso leva à produção de filamentos de proteína cujo conjunto se chama fibrina, que aprisiona as plaquetas e ajuda a manter o coágulo no local da lesão, contendo o sangramento.
2. Remoção dos coágulos: quando a barreira e a cicatrização cumprem sua função, o organismo utiliza uma proteína chamada plasmina para quebrar o coágulo em pequenos pedaços, para que eles possam ser removidos. Estes fragmentos são chamados de produtos da degradação da fibrina, sendo que um deles é o Dímero D.
3. Dosagem do Dímero D: normalmente o Dímero D é indetectável no sangue e é produzido apenas quando há formação de coágulo e quando ele está em processo de quebra. A dosagem do Dímero D revela ao médico que algo aumentou os mecanismos de coagulação para valores acima do normal.
O teste positivo para Dímero D indica a presença de níveis anormais de produtos da degradação de fibrina no organismo. A elevação do Dímero D pode ser causada por trombose venosa profunda, coagulação intravascular disseminada, cirurgia, trauma ou infecção recente. Também pode ser encontrada em pacientes com doença hepática, gestantes, eclampsia, cardiopatia e alguns tipos de câncer.
É importante frisar que a dosagem de Dímero D é um teste adjuvante e não deve ser o único exame realizado para diagnosticar uma doença ou quadro, sendo necessárias outras investigações para seu tratamento adequado.